(...) antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! e eu acreditava. acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis... mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes. hoje são apenas os meus olhos. é pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros. já gastámos as palavras! quando agora digo: meu amor..., já se não passa absolutamente nada. e no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. não temos já nada para dar. dentro de ti não há nada que me peça água. o passado é inútil como um trapo. e já te disse: as palavras estão gastas. ADEUS!
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